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| Capa do programa do espetáculo (Arte: Dorinho) |
Conheci Paulo Moraes – psiquiatra,
ator e diretor paulista – num Festival de Teatro Amador em Santo André, São
Paulo. Nossos grupos eram concorrentes. O dele tinha um nome impressionante:
Companhia Dramática Formicida Avec Cachaça e era formado por estudantes da FMU,
onde lecionava. Naqueles meados dos anos 1980, traziam uma adaptação do romance
“Cléo e Daniel”, de Roberto Freire.
O meu grupo também era de
estudantes. Formávamos o TeHor Movimento Artístico e representávamos a FATEA
com o espetáculo “A dissidência”, baseado em estudos sobre a loucura. Eu escrevera o texto,
dirigira a encenação e interpretava uma das personagens. Um grupo grande, de
futuros artistas e educadores.
Paulo e sua Companhia arrebataram
quase todos os prêmios e nós ficamos com a segunda colocação. Dali em
diante, haveria uma longa colaboração artística entre os grupos e a amizade que
dura até hoje, mais de três décadas depois. Um dos frutos dessa amizade foi o espetáculo "As meninas", transcriação do romance homônimo de Lygia Fagundes Telles, que pode ser lido nesse link.
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| Capa do romance |
O convite veio no final da
década: eu seria responsável pela dramaturgia e ele trataria de encontrar o elenco e dirigir. No
belo teatro do condomínio onde morava em Pinheiros, o Ilhas do Sul, Paulo faria
os ensaios e, como contrapartida, estrearia e faria algumas sessões para os
moradores. Sônia Kavantan, já em atividade naquela época, se encarregaria da
produção.
Do sonho primeiro até o terceiro sinal foram nove meses de trabalho, como pode ser verificado no texto que escrevi para o programa - tão compreensivelmente juvenil:
Do sonho primeiro até o terceiro sinal foram nove meses de trabalho, como pode ser verificado no texto que escrevi para o programa - tão compreensivelmente juvenil:
Na verdade o enredo do livro está todo lá! Apenas alguns personagens foram condensados, certas ações suprimidas ou comprimidas no tempo.
Ao reler, percebo o quanto aquela Adélia de vinte e poucos anos foi ousada ao criar uma dramaturgia praticamente sem rubricas, por exemplo. Minha intenção era, tal como Lygia propõe no livro, tratar a passagem de um tempo/lugar a outro sem aviso, no correr das ações. Ou o estabelecimento de três períodos - matinal, vespertino e noturno - a determinar o clima e a intensidade de cada bloco. Nesse sentido, prefiro chamá-lo hoje de transcriação em lugar de adaptação, tema para uma futura postagem nesse blog.
É com alegria, pois, que compartilho o texto, recentemente digitalizado. A partir de agora ele está disponível para leitura e novas encenações aqui.
O programa do espetáculo foi digitalizado pela CBTIJ e pode ser acessado nesse endereço.
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| Ensaio com Ana Luísa Lacombe, Nany Di Lima e Zuleika Oliveira personagens Lorena, Lia e Madre Alix (Foto: divulgação) |
A encenação, que tanto agradou Lygia, cumpriu temporada amadora e, mais tarde, profissional, vindo a ocupar a Sala Arena do Teatro Brasileiro de Comédia graças ao Prêmio Estímulo. Um outro prêmio, o de Viagem Cênica, possibilitou que “As meninas” conhecessem diversos palcos pelo estado de São Paulo.
Foram anos de trabalho, com diversos elencos, sempre sob direção de Paulo Moraes e com produção de Sônia Kavantan.
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| Foto de cartaz da temporada amadora |
Atualmente,
além de psiquiatra, Paulo é agitador cultural em São Roque. Ele nunca desiste de
me convidar pra novos projetos. Um dia acabo aceitando e então faremos um outro trabalho, tão bonito quanto "As meninas".
| Paulo Moraes e eu, trinta anos depois de "Cléo e Daniel" e "A dissidência" São Roque - 2015 |
Adélia Nicolete














