terça-feira, 27 de janeiro de 2015

“Alinhavando pontos da memória andreense” - Teatro e Museu

Concluímos em novembro passado o projeto “Alinhavando pontos da memória andreense”, uma iniciativa do grupo teatral Pontos de Fiandeiras em parceria com a equipe do Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa e realizado graças ao prêmio oferecido pelo Proac Difusão de Acervo Museológico. Uma de suas inspirações foi a ação teatral realizada no Tenement Museum de Nova Iorque, já relatada nesse blog em outubro passado.

Foram dez meses entre preparação e conclusão, com atividades que incluíram o espetáculo “Ponto segredo. Primeiros fios”; a exposição “Tramas do trabalho, fios da memória”, com visitas mediadas e ação educativa; um Ateliê de Memórias e uma série de encontros denominada “Tramas de ideias”, que promoveu debates entre historiadores, artistas, pesquisadores e público em geral em torno do tema da memória, foco de nosso trabalho.

13/05/2014 - Abertura oficial do projeto
Mesa com Luís Alberto de Abreu e Sílvia Passarelli - Mediação de Sérgio Pires
Foto: Débora Bolzan

As apresentações do espetáculo envolveram adolescentes do Ensino Médio (escolas públicas e particulares), adultos de turmas de Ensino de Jovens e Adultos, grupos de terceira idade, além do público espontâneo, presente graças à divulgação pela internet, por meio de panfletos e também pela ação direta das atrizes nos arredores do Museu. Muitos dos espectadores nunca haviam frequentado teatro, talvez por isso uma certa dificuldade no início do processo, quando algumas turmas de adolescentes do Ensino Médio apresentaram dificuldade em permanecer atentas ao espetáculo, chegando a atrapalhar a encenação. A partir dessa constatação, grupo e funcionários da casa passaram a orientar professores e alunos sobre a atividade, o que se mostrou bastante positivo dali por diante.

Divulgação do espetáculo na calçada do Museu
Foto: Acervo do grupo

 Após as apresentações, um debate era proposto a fim de aprofundar as discussões apontadas pela encenação, bem como o próprio fazer teatral. Nesses momentos, grande parte dos presentes mostrava-se interessada e a atividade ganhava desdobramentos não previstos. Como, por exemplo, um grupo de jovens, estudantes de um colégio na mesma rua do Museu, mas que nunca haviam entrado lá. Tiveram a curiosidade despertada pelo banner do espetáculo e resolveram assistir e, depois, participar do debate, o que os deixou motivados o suficiente para  conhecer o acervo do museu e retornar outro dia, dessa vez para um debate das “Tramas de ideias”. Casos como esse são de suma importância em um projeto de difusão de acervo museológico, pois se percebe que o público, o morador da cidade, está num momento de apropriação da sua história, envolvido por uma nova esfera: a do pertencimento.

Debate após espetáculo no Museu
Foto: Acervo do grupo

 O grupo também exibiu o espetáculo fora do espaço do Museu, o que despertou grande interesse por parte das unidades escolares e instituições, tanto que a equipe do Museu propôs levar o espetáculo e a exposição para integrarem o Congresso de História que ocorrerá ainda esse ano na cidade de Ribeirão Pires. Há também a proposta de realizar uma exposição itinerante por espaços culturais, educacionais e recreativos da cidade.


05/06/2014 - "Ponto segredo. Primeiros fios" no CESA Vila Humaitá - público da EJA
Em cena Roberta Marcolin Garcia, Vivian Darini e Camila Shunyata
Dramaturgia de Adélia Nicolete - Direção de Sérgio Pires
Foto: Débora Bolzan


O Ateliê de Memórias e Ficção foi outra das atividades propostas pelo projeto e que teve uma avaliação positiva. Formou-se um grupo de seis participantes que durante oito encontros foram estimuladas a criar textos a partir de suas próprias recordações, bem como da apreciação de objetos e imagens do acervo da instituição. Um dos encontros foi realizado na Livraria Alpharrabio, o que diversificou ainda mais a experiência.

Vista parcial da exposição "Tramas do trabalho, fios da memória"
Foto: Débora Bolzan

Segundo a Gerência de Preservação da Memória, “Alinhavando pontos da memória andreense” foi um projeto inovador na história da instituição, já que a junção de diversas atividades complementares tais como teatro, exposição, palestras, cursos e ação educativa permitiu, por exemplo, que outros coletivos pensassem novos projetos de difusão do acervo museológico. Tanto é que se verificou na última edição do projeto Proac Difusão de Acervo Museológico, outros grupos de teatro e de dança apresentando suas propostas à Secretaria de Cultura.

19/09/2014 - Público e Debatedores do encontro "Tramas de ideias"
Foto: Débora Bolzan


O apoio dos funcionários do Museu foi fundamental para que o projeto transcorresse com sucesso. Desde a divulgação, o contato com as escolas, o agendamento de grupos, até a organização das salas para as apresentações do espetáculo, as sessões dos debates e os encontros do Ateliê de Memórias, enfim, a parceria foi intensa e efetiva. Há que se agradecer também aos amigos, artistas, debatedores, visitantes e espectadores. Nada teria sido possível sem o esforço conjunto.Que venham novos trabalhos e parcerias!


Adélia Nicolete, Roberta Marcolin Garcia e Camila Shunyata